“Renuncie a si mesmo”

 

photo of an abandoned workspace
Foto por Sander em Pexels.com

Você conhece um acumulador? Você é um acumulador?

Imagine um quarto cheio de objetos. Ao ponto de não ter mais como passar por ele para abrir a janela. Portanto, um quarto escuro, sem ventilação, sem passagem e cheio de toda sorte de objetos, acumulados ao longo do tempo. Objetos que, de uma forma ou de outra, ligam você ao passado, às pessoas, à sua história.

Os seus familiares e amigos começam a sugerir a você que está na hora de fazer uma faxina, doar alguns objetos, vender outros. Eles dizem que é preciso desapegar!

Você imediatamente se recusa. Não é possível que alguém sugira algo tão incabível! Afinal, toda a sua história está ali dentro, todo o seu passado. Cada objeto, uma lembrança.

Porém, os dias vão passando e você começa a pensar um pouco melhor na sugestão deles. A alegria e o comodismo de olhar para os objetos ali armazenados, agora dão lugar a um incômodo sentimento de bagunça, desequilibro, falta de ar.

Ainda resistindo, você começa a retirar um e outro objeto e, ainda em dor, começa a se desapegar deles: uma caixa para doação e uma caixa para venda começam a se encher. Você reluta em abandonar alguns dos objetos mais significativos, deixa-os para depois, mas finalmente consegue limpar todo o quarto que agora está limpo e vazio. Neste momento, você abre a janela e um ar puro e renovador entra por todo o cômodo e revitaliza aquele velho ambiente. O antigo quarto velho e abandonado dá lugar ao novo!

A nossa vida interior é exatamente igual! Nós somos capazes de carregar ao longo da vida muitos sentimentos e isso é ótimo. Acontece que entre estes sentimentos, nós somos carregamos e guardamos muitos sentimentos ruins: mágoa, ressentimento, rancor, ódio, culpa  e estes são os sentimentos que ocupam nosso quarto interior fazendo com que ele seja um quarto de bagunça, onde não há por onde passar, onde falta ar e entrada de luz.

Nós precisamos fazer uma faxina interior, mesmo sentindo dor e relutando, nós precisamos entrar no quarto, ver tudo o que guardamos durante a caminhada e decidir pelo desapego. Entretanto, para isso, nós precisamos de algo essencial: Renunciar a nós mesmos! Isso mesmo! Nós precisamos abrir mão do orgulho para termos coragem de decidir: “Aquele acontecimento passado não vai mais me atormentar!; “O que aquela pessoa fez comigo foi terrível, eu sofri, desabei, mas não há nada que eu possa fazer para mudar o passado. Então, decido que esse ressentimento não vai mais atormentar meu presente e assombrar o meu futuro!”

Não é fácil colocar pra fora do nosso quarto interior as coisas que carregamos há tanto tempo, mas é libertador. O quarto fica limpo, organizado, arejado e iluminado. Pronto para viver novas coisas, novas aventuras e novas experiências.

“O passado é uma roupa que não nos serve mais!” (Belchior)

O passado pode ter sido cruel conosco, mas ele não volta. Não há nada que possamos fazer para mudá-lo. O que nos resta é decidir com força, fé, coragem e esperança que ele não pode mais nos afetar no presente. Pois, hoje somos pessoas diferentes do que éramos naquela época e precisamos ter um quarto limpo para um futuro melhor.

Leo Pessoa